quinta-feira, 22 de abril de 2010

Oficial: Cresce o número de animais abandonados


Acompanhe a primeira matéria do especial da ARCA sobre a situação dramática que atinge grandes centros urbanos.
“Pelo amor de Deus, tem um animal atropelado parado em frente a minha casa. Alguém pode recolher, fazer alguma coisa?”; “A minha vizinha morreu, quem pode ficar com os 10 cães e os 5 gatos que ela criava?”...;
“O CCZ de SP não recolhe mais animais, apenas em casos de mordedura com vítima atendida em pronto socorro municipal, invasão de locais públicos (ex. escolas, hospitais) ou se o animal está em estado terminal em espaço público”;
“Por estarmos enfrentando muita dificuldade, decidimos deixar definitivamente de alimentar a ‘ilusão do abrigo ideal’” - sobre o fechamento do abrigo Quintal de São Francisco (SP) após 50 anos de existência.

As situações acima aliadas ao número crescente de pedidos de ajuda e denúncias que chegam a 
ARCA Brasil diariamente confirmam a gravidade desse momento. Mas o que está acontecendo? O que não deu certo? O que há por fazer? Qual é o papel dos governantes? Qual é a importância dos protetores independentes e ONGs? As leis vigentes estão funcionando ou são meros instrumentos eleitorais? Os donos de animais têm cumprido seu papel? Questões fundamentais que não podem se perder no furacão que cerca todo esse imenso problema.
Histórico 
O nascimento dos grandes aglomerados urbanos durante a Revolução Indústrial do século XVIII e XIX, intensificou o contato humano com os cães e gatos e favoreceu a proliferação descontrolada dos chamados “animais de companhia”. Desse aumento significativo, nasceu o dilema: o que fazer com os “excedentes”, considerando o risco da transmissão de doenças, entre elas a raiva? A morte foi a resposta. Nos EUA, na década de 70, 12,5 milhões desses animais eram mortos a cada ano.   
No Brasil não foi diferente. A política de captura e extermínio foi intensa, especialmente nas décadas de 1970 e 1980. Atualmente não é a raiva que sentencia a morte os cães no país, hoje o perigo é a grandefalta: falta de controle populacional, falta de educação para posse responsável, falta de políticas públicas e falta do cumprimento das leis. Uma equação cujo resultado será sempre descontrole e abandono.
Observar a 4º maior cidade do mundo, São Paulo, ajuda a entender – e talvez previnir – o que acontece no resto do país. Com uma população estimada de 11 milhões de habitantes, ocupa a 10ª posição no ranking das mais ricas do planeta. Mesmo com tanto dinheiro, conta com umúnico Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), órgão que deve cumprir políticas preventivas como vacinação, registro, castração, doação, educação, etc. para uma estimativa de 1,6 milhões de cães no município. Com uma população humana quase dez vezes menor (1,6 milhões), a cidade de San Diego (EUA), possui 3 agências de “controle animal” (similar ao CCZ). Seria muito pedir mais uma ou duas unidades por aqui? É isso que a ARCA e outras entidades tem feito há mais de uma década, com o apoio de vereadores ligados a questão.
Segundo Rita Garcia, Coordenadora Executiva do ITEC (Instituto Técnico de Educação e Controle Animal), o número de animais cresce junto com o da população humana, o mesmo se aplica aos problemas relativos a esse aumento. “Enquanto não existir uma política de impacto para atender essa demanda que é enorme, o problema não vai diminuir”. 
Ou seja, o fenômeno pet, que inseriu o cão e o gato no seio familiar, não foi acompanhado por uma estrutura pública que previna e muito menos resolva o drama da superpopulação e do abandono. A Anfalpet (Associação Nacional dos Fabricantes de Alimentos para Animais de Estimação) estima que em 2010 o Brasil terá 33 milhões de cães e 17 milhões de gatos domiciliados. Mas afinal, quantos irão parar nas ruas ou gerar crias indesejadas?
Não precisa ser matemático para concluir que certas contas não fecham. A pergunta é: a principal cidade da América Latina consegue ou não lidar com o problema dos animais errantes?
 Olho do furacão 
A cidade de São Paulo, analisada nessa reportagem, conta com uma lei ambiciosa que exige que todos os animais vendidos ou doados sejam castrados (
Nº 14.483/07). O despejo de filhotes não esterilizados por comerciantes inescrupulosos, aliado ao impulso da compra, a raça da moda, o gesto de presentear alguém com um bichinho, etc.. engrossam esses números que só tendem a crescer.  
Para fiscalizar tal lei, a protetora Izolina Ribeiro criou o grupo Esquadrão Pet. “Nem petshops de shoppings são fiscalizados, imagine os criadores de fundo de quintal! Mesmo assim continuo a insistir e denunciar”, alerta Izolina.  “O que a desanima é que nem o cadastro proposto para fiscalizar os criadores de animais foi criado até hoje”.
Outra lei em vigor, dessa vez cobrindo todo o estado paulista (Nº 12.916/08), do deputado Feliciano Filho, veta a eutanásia de animais sadios pelos órgãos de controle de zoonoses e canis públicos. “O CCZ precisa agora manter 350 animais por um período indeterminado, além de controlar outras áreas, como a de animais sinantrópicos (pombo, ratos, morcegos, etc), com a mesma verba” questiona a Dra. Maria de Lourdes Reichmann, pesquisadora do Instituto Pasteur. Segundo ela, o “no kill” tupiniquim acirrou a irresponsabilidade da sociedade. “As pessoas passaram a abandonar mais, motivadas pelo fato de que o CCZ não pode mais matar”, afirma a Dra. Maria de Lourdes.
Para quem encara o problema diariamente, a impressão é a mesma. “É evidente que o abandono só aumenta. As pessoas sabendo que não existe mais a tal carrocinha, jogam na rua mesmo.  Quando comecei chegava um ou outro e-mail sobre resgate de filhotes, hoje são sempre filhotes de baciada”, desabafa a protetora Izolina.  
 “Em um cenário com tantas carências e paixões, corre-se o risco de um discurso polarizado, onde é mais fácil apontar “o bom” e “o mau”. Cabe ao CCZ cumprir leis, trabalhar a prevenção e por outro lado, cabe ao cidadão ser menos negligente.”, conclui Marco Ciampi, presidente daARCA.
As cifras impressionam. Segundo uma fonte do próprio Centro, em menos de 1 ano foram registradas mais de 22 mil solicitações de recolhimento, por diferentes motivos. Até o número de mordidas cresceu. No começo do ano, de acordo com o Datasus, foram registrados no estado de São Paulo 100 mil ataques de cães em 2009, uma média de 11 por hora. A panela de pressão está cada vez mais quente...
Existe remédio? 
Tentando evitar uma explosão, estão aqueles incapazes de ficar indiferentes quando passam por um ponto de ônibus e vêem um animal encolhido, desnutrido ou ferido. As “protetoras”, como são chamadas, vivem correndo por todos os cantos, organizando e-mails e pedidos de ajuda, tentam “enxugar gelo”, como elas mesmas dizem. Talvez seja um iceberg.
Mesmo pessoas bem intencionadas dão sinais que não agüentam mais segurar uma barra tão pesada. Um dos abrigos mais antigos da cidade, o Quintal de São Francisco, anunciou que fechará suas portas ainda esse ano. Em entrevista para Revista Veja SP, a responsável pela ONG, Ângela Caruso, disse que o local passa por dificuldades financeiras há algum tempo e não consegue arcar com os R$20 mil mensais que precisa para se manter. São mais de 250 animais a procura de um novo lar.
Estudos apontam que o equilíbrio entre mortes e nascimentos é atingido quando 70% da população de cães e gatos é castrada. Alguns atribuem a missão de chegar nesse número ao poder público e outros alegam que ele não tem estrutura para isso. O EUA faz da economia de mercado seu diferencial e incentiva uma saudável competitividade. Nesse país, não só ONG’s e agências ligadas ao governo, mas veterinários particulares criaram clínicas onde é possível castrar o animal a preços reduzidos com técnicas eficazes e sem pós-operatório.
ARCA Brasil, reconhecida como uma das principais articuladoras dessa questão, lançou em 2004 o Programa Veterinários Solidários. O projeto apresentado no Congresso Mundial de Veterinário, em julho de 2009, acredita na força desse profissional como aliado para erradicar as crueldades e reduzir o sofrimento que atinge os animais, uma iniciativa sem precedentes em países em desenvolvimento.
Felizmente, a discussão do controle da fertilidade de cães e gatos – mais ético, humano e menos custosos para o poder público – já chegou ao Congresso Nacional, por meio do projeto de lei 4/2005, autoria do deputado paranaense Affonso Camargo (PSDB-PR) que institui uma política de controle da natalidade desses animais em todo o país. Tal projeto já foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Reduzir a população de cães e gatos abandonados é uma luta que absorve a maior parte dos esforços e recursos de entidades de proteção dos animais mais próximos do homem. Pesquisas e inovações no campo da prevenção da natalidade já trazem resultados promissores, como a esterilização química para cães machos, produto lançado inclusive no Brasil.
"A solução não virá por um decreto, mas de uma grande mobilização de consciências e conhecimentos. Incluindo a conscientização da sociedade, menos demagogia e mais atitude das autoridades", conclui Ciampi.
Onde está publicado: ARCA Brasil

Cães e gatos sofrem com a falta de sangue


Uma bolsa de sangue pode salvar a vida de 4 animais, mas a prática da doação ainda não é comum entre donos de pets. Saiba como o seu bichinho pode ajudar.
O que acidentes, lesões, traumas, cirurgias, doenças causadas por carrapatos, anemias e tumores, que atingem pets diariamente, têm em comum? A transfusão de sangue, que pode ser parte do tratamento ou a única saída para salvar a vida do seu melhor amigo em uma emergência.
Infelizmente a doação de sangue entre cães e gatos ainda não é um costume entre os donos. Até no Hospital Veterinário da Universidade de SP (USP), um dos principais do país, o estoque de bolsas de sangue é praticamente nulo. “O número é bastante reduzido, às vezes ficamos meses sem nenhuma doação”, alerta a prof. Denise Fantoni, responsável pelo banco de sangue do Hospital Veterinário da USP. Segundo a veterinária, são utilizadas mais de 20 bolsas de 450 ml mensalmente.
A urgência e a necessidade do sangue também é uma dura realidade para nós, humanos. Na Fundação Pró-Sangue são coletados 12 mil bolsas mensalmente, e mesmo assim só suprem 32% do sangue consumido na região metropolitana de SP.
Se para os seres humanos já é difícil, para os bichos a dificuldade é muito maior. “A maioria dos donos desconhece que existe transfusão entre os animais, e só tomam conhecimento quando os próprios pets enfrentam situações clínicas que necessitam do procedimento”, explica Dra. Simone Gonçalves, responsável pelo laboratório e centro de hemoterapia veterinária, o Hemovet.


Quando diagnosticado que o animal precisa da transfusão, o veterinário entra em contato com algum hemocentro e solicita uma bolsa de sangue, o valor varia entre R$90 e R$170. O alto custo, a dificuldade de encontrar doadores e a correria do dia a dia, faz com que esse momento sofrido fique ainda mais aflitivo.
No Rio de Janeiro, o Hemopet encontrou uma maneira de driblar a falta de tempo dos donos de animais: a coleta é feita na própria casa do futuro doador, fator que ajuda a prevenir o estresse do pet.
Mesmo assim, a batalha é diária para conseguir novos interessados. “Divulgamos nosso trabalho em meios de comunicação, feiras de cães ou qualquer evento relacionado, mas a nossa melhor divulgação é o boca-boca de nossos doadores”, esclarece a sócia do Hemopet, Dra. Luciula Moreira Kfuri, que comprova que a boa impressão do processo é a maior propaganda.
Foi exatamente a sugestão de uma amiga que despertou essa possibilidade na vida da webdesigner Marina Corrêa e de seu labrador Francesco. “Quando soube do Hospital Veterinário da Universidade Anhembi Morumbi, fui conhecer, e assim vi o tamanho da necessidade”, recorda Marina. “É triste ver o quanto as pessoas se sentem impotentes por não conseguir salvar a vida de seu melhor amigo porque não tem uma bolsa de sangue”, completa a protetora.
Saber que o sangue de Francesco poderia salvar a vida de quatro cães foi o detalhe final para a tomada de atitude. “Quando eu vi que poderia fazer a diferença, meu cão salvar vidas e conscientizar outras pessoas, não tive dúvida”, orgulha-se a mãezona do Francesco, doador há 4 anos.
E os gatos? 
No Brasil a situação dos felinos é muito mais complicada. Não existem bancos de sangue disponíveis porque a bolsa adaptada para armazenar a coleta ainda não existe aqui. Hoje em dia, quando há um gatinho carente, os bancos e os próprios veterinários correm para encontrar um doador disponível e compatível, que possa doar o sangue no mesmo dia.
Um projeto entre a Hemovet e a FMVZ -USP pretende criar um banco de sangue e organizar uma padronização de coleta para os felinos. Enquanto isso não acontece, a ARCA Brasil entrou em contato com alguns gatis para saber se eles ofereceriam seus animais, fortes e sadios, para doarem sangue.
Com 22 anos nesse mercado, a empresária Elaine Jordão, dona do Gatil Blaze Star, confirmou que não existem criadores de gatos parceiros de hemocentros. “Seria uma coisa interessante, mas acho difícil um criador levar seu animal para doar sangue”. A proprietária do Gatil Bless Kellyas, Fátima Kellyas, reforçou a opinião de Elaine, “também acho difícil, o persa, por exemplo, é muito sensível e acaba se estressando facilmente”.
Contrariando a postura dos gatis, alguns canis comerciais cumprem um importante papel social ao se tornarem parceiros dos bancos de sangue consultados nessa reportagem.
Por que doar? 
O processo é indolor e a quantidade de sangue retirada não prejudica o animal. Antes da transfusão o animal passa por uma minuciosa avaliação. Uma ótima oportunidade de ganhar o famoso “check up”, às vezes negligenciado pelos donos por falta de recursos ou tempo. “Realizamos exames para as principais doenças em todos os nossos doadores, como hemograma, erliquiose, Lyme, dirofilariose, leishmaniose e brucelose. Todos os exames são gratuitos”, garante a Dra. Simone, da Hemovet, em SP.
Tomando certos cuidados, como a escolha de um banco sério e com profissionais competentes, a doação de sangue é um enorme ato de amor, como conta a “mãe” de Francesco, Marina:

“Certa vez uma cadela estava praticamente imóvel na maca. Eu vi quando preparavam a transfusão e fui acompanhar o processo. Eu comecei a falar com ela, disse que estava recebendo sangue de um cão muito arteiro, cheio de energia e que tinha que reagir, nesse momento ela abriu os olhos e em seguida levantou a cabeça. Foi uma festa! Os donos não sabiam como agradecer, então eu lhes disse, não precisa me agradecer, o meu agradecimento foi ver a filha deles reagir com o sangue do meu filho. Não tem nada no mundo que pague essa sensação”.






Quem pode doar
Cães
Peso mínimo: 27 kg
Idade: 1 a 8 anos
Vacinação e vermifugação em dia
Não pode ser portador de doenças crônicas
Estar clinicamente saudável 
Temperamento dócil
Gatos
Peso mínimo: 4,5 kg
Idade: 1 a 8 anos 
Vacinação e vermifugação em dia
Não pode ser portador de doenças crônicas
Estar clinicamente saudável 
Temperamento dócil

Onde doar
São Paulo
Hospital Veterinário da USP
Telefones: (11) 3091-1248 / 3091-1364 / 3091-1244
E-mail: hovet@usp.br
Site: http://www.fmvz.usp.br
Hospital Veterinário Anhembi Morumbi
Telefones: (11) 2790-4642 / 2790-4643
E-mail: hospvet@anhembi.br
Site: http://portal.anhembi.br
Hemovet
Telefone: (11) 2918-8050
E-mail: hemovet@hemovet.com.br
Site: http://www.hemovet.com.br
Rio de Janeiro
Hemopet
Telefones: (21) Luciula 7855-8898 id: 83*31055 / Roberta 7854-5433 id: 83*30226.
Site: http://www.hemopet.net

Onde está publicado: ARCA Brasil